No almoço almocei com Ela. Foi legal. E é legal ver que eu tenho vivido em paz com o pessoal da faculdade, não deixando que essas conquistas me façam sentir superior, sabe? O Senhor tem me ensinado a me colocar no meu lugar. Graças a Deus.
Aquiete-se, curiosa leitora; é verdade que os fatos aqui relatados seguem a passos lentíssimos, que o enredo até agora narrado apresenta pouca ou quase nenhuma ação, mas consideremos a relevância do que ocorreu no dia transcrito aqui, o dia em que, aparentemente (uma vez que não há menção explícita a outros comensais à refeição), eu pude almoçar com Ela sozinho pela primeira vez.
Além disso, transcrevi nesse dia uma preocupação que tinha à época: não permitir que as conquistas que eu alcançava então me fizessem "sentir superior", como prenunciava a sempre natural tendência humana aos maus procedimentos. Como vê, se tratava de uma preocupação essencialmente subjetiva, como é essencialmente subjetiva a razão que me faz transcrevê-la aqui. Eximo-a pois, curiosa leitora, de lê-la, se não quiser.
No fim, é óbvio que, maior que a preocupação por um bom proceder diante das coisas conquistadas, o fato de ter almoçado com Ela foi o grande momento do dia, pois ali, naquelas conversas até então informais e despropositadas, se estava engendrando um relacionamento incipiente e um sentimento intenso e verdadeiro, como hoje se vê.
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