sexta-feira, 8 de abril de 2011

11 de agosto de 2010

Depois do almoço fomos ler o material pra palestra, quando ela apareceu. Ao se despedir, me abraçou, de um abraço tão natural e deliberado que me senti enganado por ter pensado que ela não seria capaz de demonstrar sentimentos. Pois me enganei, e esse abraço mudou o dia, e toda dúvida sobre o que fazer daqui pra frente se desfez a partir dele. Sinto que estamos nos aproximando, e só vislumbrar isso alegra sobremodo meu coração.

Esse dia também pode ser contado entre os dias mais importantes para a concretização de nosso relacionamento.

Como venho relatando até aqui, meu sentimento por Ela passou por vários fases diferentes, desde momentos em que eu poderia achar que morreria sem tê-la comigo até momentos em que a última coisa que eu gostaria era vê-la. Talvez isso tenha se dado por causa de alguma inconstância de nossa convivência, sobretudo durante as férias e como consequência de sua ausência na faculdade, talvez pelas incompatibilidades de experiências que vivíamos -e vivêramos- ou mesmo pelas nossas diferenças de personalidade. No entanto, nesse dia relatado na agenda, pude sentir, quiçá pela primeira vez tão fortemente, que estava investindo certo e que nosso relacionamento aconteceria em breve.

No dia relatado nosso grupo assistiria uma palestra na faculdade, menos ela. Sua falta era sempre sentida, mas ainda mais quando todos os outros se reuniam e ela não estava. Porém, após o almoço, quando pensei que não mais a veria naquele dia, ela foi até a sala onde estávamos. Vê-la foi toda a motivação que eu precisava. Além disso, me chamou a atenção o fato de que ela conversou, como que veladamente, com uma nossa amiga em comum, tendo elas falado -como o soube depois- sobre mim e, de alguma forma, sobre minhas intenções. Não sei se como resposta a essa conversa, não sei se por simples polidez de sua parte, mas quando nos despedimos ela me abraçou, sem nenhuma pressão, com muita naturalidade e leveza. Esse gesto, que poderia parecer comum a amigos que éramos então, derrubou por terra a impressão que eu tinha a seu respeito, de que ela não poderia demonstrar sentimentos em nenhuma circunstância, como consequência de seu recatamento.

Pois por causa desse abraço se dissipou toda dúvida que eu poderia ter acerca de meu envolvimento com Ela. A partir desse dia eu tive a convicção de que eu a queria para a minha vida, e de que nem altos e baixos desvaneceriam minha determinação de conquistá-la. Assim pude prever -como que profeticamente- que nós começávamos a nos aproximar cada vez mais. Hoje estamos tão próximos quanto eu gostaria e desejaria, e crescemos em nossa aproximação até nos tornarmos uma só carne, como é meu profundo desejo.

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