Almocei com as meninas de novo, com exceção da Ela. E sobre ela eu preciso registrar certas confusões que me ocorreram hoje durante o dia, resultantes de brincadeiras e insinuações por parte da L* durante esta semana. [...] Não sei se isso é bom, sinceramente. Não quero ficar imaginando situações.
Com estas palavras registrei, leitora, a primeira ocasião em que tive, ainda que incipiente e hesitantemente, a consciência do meu sentimento por Ela, o qual se desenvolveu a partir de então. Isto faz desse dia um dia significativo para o relacionamento relatado nas páginas da agenda.
Interessante notar que à incipiência do referido sentimento chamei "confusões", e que revelei, ainda, certa hesitação em aceitar esse sentimento e a condição de submeter a plenitude de minha felicidade a uma pessoa externa a mim, o que fica evidente sob as expressões Não sei se isso é bom e Não quero ficar imaginando situações. Quem sabe essa resistência não nos ocorra a todos nós, acostumados a viver, até certo momento da vida, conforme nossa pretendida autossuficiência? Você concorda, caríssima leitora?
No entanto, não houve remédio: acatei a proposta que o coração me fazia, desfazendo-me de minha independência, e me voluntariei a dedicar-me integralmente a esse sentimento. Hoje, posso dizer que foi - e tem sido - a melhor decisão que eu poderia tomar.
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