A segunda conversa, com Ela, por telefone, foi preocupante. Eu disse a ela do depoimento que escrevi pra ela ontem, e ela disse que não costuma aceitar depoimentos, e condenou a exibição e a exposição à qual o Orkut nos leva, e que a outros não interessa saber das coisas destinadas a ela, etc. Achei tudo muito exagerado, e me preocupa porque estou motivado a investir nela, a preparar uma possível chance de a gente se relacionar, mas não o faria se fosse pra namorar com outra D*, de recatamentos exagerados. Não mesmo. E eu tô tão animado a isso, não queria deixar de prever essa hipótese.
Nos estudos literários aprendemos que um elemento crucial para o desenvolvimento de um romance (romance nos termos literários) é o nó, ou conflito. O nó se apresenta como um fato impedidor da narrativa, que deve ser resolvido (ou - em termos mais propícios - desatado) de modo que seja possível o desenlace, quer dizer, a resolução final da narrativa.
O que se apresenta nesta postagem é, precisamente, um nó, um conflito. De um lado, eu queria demonstrar a Ela um pouco do meu sentimento, através das palavras elogiosas presentes no depoimento que mencionei aqui, e gostaria, como era natural, que ela recebesse tais palavras tornando-as públicas em seu perfil. De outro lado, ela apresentava uma resistência em aceitar meu depoimento, gesto que me pareceu não uma demonstração de discrição, como cri posteriormente, mas de um recatamento exagerado, como registrei nesse dia. Foi chocante parecer-me isso porque tive a evocação de meu relacionamento anterior, findado preponderantemente por demonstrações como essa, de timidez excessiva, e também simplesmente pela inexistência de demostrações de afeto.
Tal conflito me fez, à época, recear a possibilidade de perder o interesse em continuar investindo em meu sentimento por Ela, e tardariam mais alguns episódios para que esse nó fosse desatado. Felizmente o desenlace sucedeu da melhor maneira possível.
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