No almoço registro a nova ausência dEla. De tardezinha eu liguei pra ela, saber se tava tudo bem, que ela não almoça mais conosco. Me deu vontade de ligar. E pelo que a gente conversou e por algumas reflexões minhas, eu acho que as dificuldades que eu tenho imposto e tributado como empecilhos a um maior envolvimento da minha parte são facilmente passíveis de superação. Não sei, Ela é uma menina muito diferenciada, não há como perder essa possibilidade por coisas que podem ser resolvidas.
Como segue relatado, nesse dia registrei novamente sua ausência na hora do almoço, a hora mais esperada do meu dia, quando eu podia estar com ela, havendo a possibilidade de me sentar ao seu lado ou à sua frente, perto dela, enfim. E uma vez que, a essa altura da nossa amizade, eu já havia, de certa forma, conquistado a condição de ligar pra Ela, como acontecia nas férias, vali-me dessa proximidade e contatei-a, deixando-lhe claro que eu havia sentido sua falta na hora do almoço. Na verdade, a ligação foi um bom pretexto pra falar com Ela, e eu abusava mesmo de todos os pretextos possíveis para fazê-lo; e quando não havia pretextos, eu os inventava. O que queria era ouvir sua voz, sob qualquer situação.
Nessa ocasião eu também comecei a considerar que todas as dificuldades que eu achava que acarretaria uma aproximação minha não eram legítimas. Ela sempre se revelou uma menina muito diferenciada, linda, destacada pelo seu caráter e proceder, diferente de todas. Eu não poderia, como disse, deixar escapar a chance de conhecer mais de perto essa menina, de comprovar cada boa impressão que eu construía a seu respeito, de procurar nEla a felicidade que meu coração buscava...
Graças ao meu bom Deus, não perdi essa chance!
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