Parei pra ligar pra Ela, evidentemente. Senti-me um tanto mais incisivo e direto na minha fala e nos meus comentários. Mas não é mais possível dissimular o quanto eu quero Ela na minha vida, e há que investir nisso, mesmo em palavras, enfim.
Não me lembro bem a que hora do dia eu me referia na agenda quando disse que parei pra ligar pra Ela. No entanto, o registro desse dia deixa claro que a influência dela na minha já tinha se tornado atemporal - não no sentido de não estar atrelada a nenhum tempo, mas sim a todos os tempos do tempo que eu tinha e sigo tendo. Falar com ela era (e, por certo, ainda é) o momento mais aguardado dos meus dias, desses dias cinzas - ou mesmo desses momentos, por breves que sejam - em que eu não a vejo. Ouvir a voz dela é a melhor maneira de paliar a saudade que se estabelece entre nossas distâncias.
Além disso, nesse dia registrei também o status de meu investimento nela, que também consistia em expressar-lhe meus sentimentos declarada e, se preciso, incisivamente. Já não havia tempo a perder: eu a queria muito pra mim, e tinha que deixar isso claro, com todas as letras. Já era impossível dissimular o indissimulável, esse sentimento que, mesmo que palavras o tentem ocultar (o que não era o caso), todo o ser o denuncia.
Fui denunciado por meus olhos e por meu sorriso ao mínimo sinal dela, mas não hesitei em confessar minha culpa: eu estava completamente apaixonado. Converti-me de réu a homem livre por ter ganho minha causa: o coração e o amor dela.
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