sexta-feira, 19 de agosto de 2011

23 de setembro de 2010

Mas enfim, depois do culto eu estava resoluto a acompanhar Ela até o ponto, mas o filho da puta do D* não se desgrudou de nós e me roubou esse tempo com ela, injustamente, porque ele convive mais com ela do que eu, o miserável. Havia muito tempo eu não ficava tão irado como hoje. [...] não consegui fazer nada até resolver ligar para Ela, e criar uma outra oportunidade, já que a outra me foi roubada, e ceder, e condescender, e ter que dizer o que ela queria ouvir de novo, em vez do que eu queria dizer.

"Um dia de fúria", como no filme.

A presença dela era, como ainda é, ansiosamente desejada por mim. Todos os momentos em que eu pudesse estar a seu lado eram preciosos, e eu fazia de tudo, planejava todas as situações e contextos para ter sua companhia pelo máximo de tempo possível. Nesse dia não foi diferente. Planejei, ao final de nossas atividades daquele dia, acompanhá-la até o ponto de ônibus, onde só nos separaríamos pela inevitável necessidade que para cada um era diferente, a de ficar e a de ir.

Tudo ia bem em meu plano até certa parte do trajeto, quando um nosso colega em comum, que estudava com ela e a quem eu conhecia por isso, apareceu e se pôs a conversar conosco. Irritei-me intensamente por essa ousadia, e esperava que sua conversa fosse o mais breve possível, para que eu pudesse estar a sós com ela e, talvez, pudesse ter o momento que esperava para expressar-lhe mais claramente meus sentimentos. Porém, a conversa desse nosso colega não acabava mais, e se aproximava a hora em que o ônibus dela chegaria. Comecei a lançar indiretas a esse indivíduo, e certamente o difamei nas entrelinhas de minha expressão furiosa, mas nada de ele nos deixar. Enfim, depois de minutos que pareceram eternos, ele se foi, mas em pouco tempo o ônibus dela chegou, e não pudemos ter o tempo de qualidade que eu planejara.

O restante do dia para mim foi de sentimentos negros e da mais intensa ira do mundo em relação a esse rapaz. Quis agarrá-lo pela garganta em meus pensamentos, fazê-lo calar nem que fosse à força, e eliminá-lo de vez de nossa convivência, para não correr o risco de ser incomodado por ele em outra ocasião. Não o fiz. O que fiz foi ligar para ela, e ser forçosamente acalmado por sua voz. Sabia que aquela conversa era um paliativo para o meu real desejo, que era o de ter podido aproveitar aqueles minutos roubados de mim, mas era o que eu tinha à mão.

P.S.: perdoem-me os leitores por essa pausa negra. O próximo relato será certamente mais iluminado e colorido, como meu relacionamento com ela hoje.

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