sexta-feira, 22 de julho de 2011

18 de setembro de 2010

...vim pra casa só pensando em ligar pra Ela, coisa que efetivamente fiz. Falamos por mais de uma hora sobre um monte de coisas. A princípio, me pareceu confortante poder ser amigo dela e aproveitar sua receptividade e companhia, na iminência presente de me ater mais fortemente a ela, mas depois pensei na complexidade da formação dos sentimentos femininos e me inquietou a possibilidade de esperar mais do que a minha carência pode sofrer. Instabilidades!

Esse era mais um sábado em que eu não a via, mais um sábado de lamentar minha saudade e nossa distância, mais um sábado em que a única via possível de contato, além dos pensamentos que mantinham minha mente ligada a Ela, era o telefone. Vali-me, outra vez, desse recurso.

O antagonismo que descrevi nas linhas da agenda constituía, para mim, uma questão angustiante, ao mesmo tempo favorável e, talvez por esse favorecimento, tolhedora. A parte favorável equivalia à maravilhosa oportunidade - a bênção, em termos mais exatos - de fazer parte de sua vida e de tê-la como uma pessoa próxima a mim, com quem compartilhava minha vida e cuja presença era das mais agradáveis que tinha e ainda tenho, quizá a mais desejada. Para mim, fazer parte de sua vida já era uma conquista, e o fato de que até então ela nunca me havia rejeitado ou desdenhado de minha companhia era o feliz presságio de que, ao menos, seríamos muito bons amigos...

...mas minhas intenções em relação a ela me levavam a desejá-la como mais que uma amiga, também uma amiga - como, de fato, ela o é para mim -, mas mais do que isso. Queria-a como uma mulher, como uma compartilhadora de sonhos e como uma companheira para toda a minha vida. No entanto, pensava eu que, sendo boa nossa amizade, esses sentimentos demorariam mais a gerar-se no coração dela, talvez por ela não querer perder em mim um amigo, talvez pela consolidação irreversível de uma amizade que, de tão verdadeira e justa, não conseguiria ver-se mais como outro sentimento.

Ao final, como um protesto, a caneta marcou, na página branca da agenda, a tormentosa palavra Instabilidades! Minha alegria e meu feliz fado - não sabendo-o eu - era que esse tormento interior estava prestes a acabar.

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