Comecemos pelo caso do bombom, que a menina entregou pra S*, sendo que era pra Ela. Fiquei tão puto que nem me animei a ir à aula de Estágio. No entanto, o mesmo bombom me permitiu viver os cinco segundos de maior contentamento destes dias recentes, quando, ao entregar-lhe o bombom, ela me deu um abraço tão carinhoso e tão espontâneo que fiquei fora de mim, sem saber o que falar ou o que fazer. Isto foi o melhor do dia, e de muitos dias recentes.
No almoço ela esteve ao meu lado novamente, linda como estava. Pena que não permaneci.
Como toda boa história de conquista, houve também na nossa história um mal entendido que foi, ao mesmo tempo, bobo, engraçado e gratificante. Essa era uma quinta-feira, e antes de começarem as aulas decidi mandar um bombom para ela na sala, através de uma colega sua que eu não conhecia, mas a quem pedi que o entregasse a ela. Esperava, através desse pequeno gesto, fazer-me presente na sala de aula dela, onde eu não podia estar pelo fato de que estudamos em períodos diferentes. No entanto, a menina a quem eu pedi esse favor se confundiu e entregou o bombom - adivinhe para quem? Para a professora delas. Não sei se maior foi o meu constrangimento pela possibilidade de ser mal interpretado pela professora, a quem eu conhecia, ou se minha indignação e raiva por não ter dado certo.
Depois da aula, no intervalo, me expliquei com a professora e eu mesmo entreguei o bombom para Ela, claro que depois de contar o ocorrido aos nossos amigos em comum e a dar algumas risadas por causa do mal entendido. Quando disse que a experiência foi gratificante me referi ao abraço que nos demos quando entreguei o bombom para Ela, a verdadeira destinatária da iniciativa. Foi o melhor abraço que até então nos havíamos dado, porque senti que foi dela a iniciativa, talvez em retribuição ao meu gesto. Nos segundos depois de nosso contato, senti que tudo o que eu havia feito até aquele momento fazia pleno sentido; senti que eu não havia tomado melhor iniciativa do que cultivar meu sentimento por Ela e investir em nosso relacionamento; senti que de conversa em conversa e de abraço em abraço, chegaríamos a esse status de felicidade que alcançamos quando nossos sentimentos se descobriram recíprocos.
Hoje, dez meses depois desse contato, e a cada conversa/abraço/beijo, sinto que gosto mais dela.
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