Voltei à Letras às 11:30, o tempo de ver que Ela não ia almoçar conosco, e ia à biblioteca antes de ir embora. Enquanto eu me dirigia ao RU, atinei a acompanhá-la à biblioteca e a estar com ela até o ônibus chegar. Pois não poderia ter feito coisa melhor hoje. Passamos uma boa meia hora conversando, só nós. Pensei em que dizem sobre criar oportunidades, se a vida não as dá, e vivi isso na prática hoje.
Certamente, a segunda-feira era o dia da semana em que eu sempre tinha expectativas negativas de não conseguir vê-la, uma vez que eu tinha estágio pela manhã e ela quase nunca almoçava no câmpus nesse dia. Esse não era um dia diferente nesse sentido, e desde o levantar-me me resignava a não chegar a tempo de estar com ela por alguns minutos que fossem, mas suficientes para salvar meu dia.
Por pouco minhas expectativas negativas não se confirmavam mais uma vez. Ao chegar, tive a sorte de vê-la antes de ela ir embora, indo à biblioteca para devolver um livro. A princípio já me resignava por não ter conseguido mais uma vez, apesar do "quase". No entanto, me ocorreu a ideia de acompanhá-la à biblioteca e ao ponto de ônibus, trajetos que nos renderiam pelo menos uns 20min de companhia. No começo da ideia hesitei, pensando se ela não se sentiria incomodada - ou até mesmo enfadada - por ter-me ali novamente "em seu encalço". Em uma fração de segundos passei da hesitação cautelosa à determinação ousada e fui até ela.
Definitivamente, foi a melhor ideia que tive nesse dia. Exultei por poder desfrutar de sua companhia pela meia hora que me salvou da tristeza e da ansiedade, as quais desde a mais precoce manhã já aterravam meu dia, pela impressão de estarem incomodamente presentes em todo ele. Foi também essa ideia, concretizada em tantas atitudes que já nos aproximaram, que me deu a dimensão do quanto a presença dela é preciosa para mim, e do quanto cada iniciativa para estar com ela é válida.
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