Almocei com ela, naturalmente. Fomos ao louvor depois do almoço, e ficamos lá um pouquinho. Então, quando voltávamos pra Letras, eis que me ocorre novo atrevimento: perguntei a ela se podia tirar casquinha de novo, em alusão a ontem, e segurei a mão dela. Caminhamos assim, de mãos dadas, um bom tempo, como se já fôssemos namorados. Foi interessante ver como ela reagiu, tranquilamente, como se estivesse segura disso também. Enfim, foi um êxtase, um arrebatamento, um momento de prazer puro e contentamento, como eu não vivia há ano.
Muito se diz sobre o primeiro beijo, no sentido de ser ele um dos momentos mais marcantes de nossas vidas e no qual experimentamos, pela primeira vez, a maior intimidade afetiva que até então não havíamos vivido com ninguém, apesar de, desde o nosso nascimento, estarmos rodeados de pessoas que nos tem os melhores e mais sublimes afetos do coração humano. No entanto, na história de minha vida com Ela, talvez o evento descrito nesse dia tenha sido o mais emocionante de todos.
Antes desse dia eu já pudera sentir o suave toque de suas mãos, como já escrevi neste blog. Aquelas foram iniciativas ousadas, carregadas de sentimento e de desejo. Porém, ainda não era o bastante, e perdoar-se-á aos amantes que sempre desejam mais de suas amadas. Faltava tê-la efetivamente ao meu lado, faltava segurar sua mão, faltava andar a seu lado, mas unido a ela, como dois amantes, como dois namorados. Então, numa atitude definitiva, contive sua mão na minha. Então pude sentir, pela primeira vez, aquela emoção compartilhada, fluida entre o espaço de nossa pele e originada em nossos corações, sentidos concordemente e desejados mutuamente.
A junção de nossas mãos, aliada a sua reação consentida e inclusive aparentemente apoiadora daquele gesto, mais me fizeram acreditar na certeza de nosso sentimento recíproco, mas me faltava ainda sua resposta explícita. Mais dois dias e eu a teria.
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